
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, no fim de dezembro, um novo medicamento para o tratamento do Alzheimer. O lecanemabe, vendido com o nome comercial de Leqembi pelas farmacêuticas Biogen e Eisai, é indicado para pacientes com comprometimento cognitivo leve e demência leve devido à doença.
Para ser elegível ao tratamento, o paciente deve ter a formação das placas de proteína amiloide no cérebro, uma vez que o medicamento se liga a grandes agregados de proteína beta-amiloide solúvel (protofibrilas) para frear a evolução da doença.
O que é o Alzheimer?
- O Alzheimer é uma doença que afeta o funcionamento do cérebro de forma progressiva, prejudicando a memória e outras funções cognitivas.
- Ainda não se sabe exatamente o que causa o problema, mas há indícios de que ele esteja ligado à genética.
- É o tipo mais comum de demência em pessoas idosas e, segundo o Ministério da Saúde, responde por mais da metade dos casos registrados no Brasil.
- O sinal mais comum no início é a perda de memória recente. Com o avanço da doença, surgem outros sintomas mais intensos, como dificuldade para lembrar de fatos antigos, confusão com horários e lugares, irritabilidade, mudanças na fala e na forma de se comunicar.
O fármaco é um anticorpo monoclonal antiamiloide, que faz parte da nova geração de medicamentos que reduzem a evolução da doença. As fabricantes ainda não anunciaram quando o Leqembi deve chegar ao Brasil.
“O acúmulo de placas amiloides no cérebro é uma característica fisiopatológica definidora do Alzheimer. O lecanemabe reduz as placas beta-amiloides”, aponta a Anvisa em comunicado.
Testes clínicos com remédio para Alzheimer
O estudo clínico para testar a segurança e eficácia do medicamento envolveu 1.795 pessoas com Alzheimer em estágio inicial, que apresentavam placas beta-amiloides no cérebro.
O Leqembi demonstrou retardar o declínio cognitivo em pacientes com Alzheimer em estágio inicial, em comparação com o grupo que recebeu o placebo.
A principal medida de eficácia foi a mudança nos sintomas após 18 meses, mostrada por meio da escala de avaliação de demência denominada CDR-SB, utilizada para medir a gravidade da doença. A avaliação inclui questões que ajudam a determinar o quanto a vida diária do paciente foi afetada pelo comprometimento cognitivo.
“Os benefícios do Leqembi foram considerados em um subgrupo de pacientes com apenas uma ou nenhuma cópia do gene ApoE4, que são menos propensos a apresentar um evento adverso denominado anormalidades de imagem relacionadas ao amiloide (ARIA)”, informou a Anvisa.
Eventos adversos e contraindicações
O medicamento não é indicado para pessoas com a mutação no gene APOE-e4, que aumenta o risco de Alzheimer e de efeitos colaterais graves após o uso.
Ele também não deve ser usado nos casos em que a ressonância magnética pré-tratamento apresente hemorragia intracerebral prévia; mais de quatro micro-hemorragias; siderose superficial; ou edema vasogênico, sugestivos de angiopatia amiloide cerebral (AAC). O tratamento com lecanemabe também não deve ser iniciado em pacientes que estejam recebendo terapia anticoagulante contínua.
Segundo a Anvisa, as reações adversas mais comuns incluem hemorragia do tipo ARIA-H, que envolve pequenos sangramentos no cérebro, e dor de cabeça, podendo afetar mais de 1 em cada 10 pacientes, e edema, que é o acúmulo de líquido no cérebro.
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https://jornalismodigitaldf.com.br/anvisa-aprova-medicamento-para-pacientes-com-alzheimer-em-fase-inicial/?fsp_sid=245793













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