
Um estudo francês sugere que o hábito de ingerir com frequência alimentos industrializados como pães, embutidos e produtos já prontos para o consumo com conservantes pode estar associado a um aumento pequeno no risco de câncer.
A pesquisa, publicada no British Medical Journal (BMJ) em janeiro deste ano, acompanhou mais de 100 mil pessoas por 10 anos e analisou a relação entre o consumo de conservantes na alimentação e o desenvolvimento de tipos diferentes de câncer.
Mesmo que os autores do estudo reforcem que a pesquisa não estabelece uma relação de causa e efeito — ou seja, que você pode desenvolver câncer por consumir conservantes — os dados levantam questões sobre a segurança do uso desses aditivos por muito tempo.
Como o estudo foi feito
Os cientistas tiveram acesso aos dados de 105.260 pessoas com 15 anos ou mais, com idade média de 42 anos, que faziam parte da pesquisa NutriNet-Santé, que reúne dados sobre alimentação e saúde dos voluntários da França.
Ao longo dos anos de acompanhamento, os participantes responderam fichas alimentares bem detalhadas para que os pesquisadores pudessem observar tanto os alimentos consumidos quanto os conservantes em cada produto.
Durante a análise, foram registrados 4.226 casos de câncer, incluindo câncer de mama, próstata e colorretal. Ao avaliar todos os conservantes em conjunto, não houve associação geral com o risco de câncer.
Mesmo assim, a análise individual mostrou que alguns aditivos específicos se destacaram. Entre os conservantes associados a maior risco estão o sorbato de potássio, os sulfitos, o nitrito de sódio e o nitrato de potássio.

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Conservantes específicos associados ao câncer
O sorbato de potássio, por exemplo, foi relacionado a um aumento de 14% no risco de câncer em geral e de 26% no risco de câncer de mama. Já o nitrito de sódio apresentou associação com um risco 32% maior de câncer de próstata.
Os sulfitos totais também chamaram atenção porque tiveram um aumento de 12% no risco geral de câncer. O nitrato de potássio foi associado tanto ao câncer em geral quanto ao de mama.
Entre os conservantes antioxidantes, que são os que fazem com que a comida demore mais para estragar, só os eritorbatos totais e o eritorbato de sódio mostraram relação com maior incidência de câncer.
Segundo os autores, alguns desses conservantes podem mudar negativamente a função imunológica e a inflamação do corpo, fatores que, em teoria, poderiam favorecer o desenvolvimento do câncer. Ainda assim, eles ressaltam que são necessários novos estudos para compreender melhor esses mecanismos.
Por que essas descobertas são importantes?
Por se tratar de um estudo observacional, os pesquisadores alertam que não é possível afirmar que os conservantes causam câncer diretamente. Eles deixam claro que outros fatores, como estilo de vida, padrão alimentar e características individuais podem ter influenciado os resultados.
Para os pesquisadores, esses achados reforçam a necessidade de reavaliar os critérios de segurança dos aditivos alimentares que são permitidos atualmente. Além disso, eles ressaltam que também é importante ter informações mais claras nos rótulos para que o consumidor saiba exatamente o que está comendo.
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https://chumbogrossodf.com.br/estudo-lista-conservantes-que-podem-aumentar-o-risco-de-cancer/?fsp_sid=251600




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