
Um tratamento combinado com canetas emagrecedoras — como Ozempic, Wegovy e Mounjaro — e progestina mostrou redução significativa no risco de desenvolvimento de câncer de endométrio em mulheres de diferentes idades. A doença é o tipo mais comum de câncer de útero.
A descoberta foi feita em um estudo liderado por pesquisadores dos Estados Unidos e de Taiwan e constatou que as mulheres que utilizaram o tratamento combinado tiveram risco bem menor de desenvolver a doença em relação às que utilizaram apenas a progestina. Os resultados foram publicados na revista JAMA Network Open em 10 de fevereiro.
“A adição de um agonista do receptor de GLP-1 (GLP-1RA) à terapia com progestina foi associada a um menor risco de câncer endometrial. Mais estudos prospectivos e ensaios clínicos são necessários para validar esses achados”, afirmam os autores do estudo, do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia, Centro de Ciências da Saúde da Universidade Texas Tech em El Paso.
O câncer de endométrio é um dos tumores ginecológicos mais comuns. O tratamento costuma ser feito com hormônios sintéticos que imitam as funções da progesterona, visando atuar contra o espessamento pré-canceroso do revestimento uterino ou sangramento intenso.
Apesar de ser o tratamento atual mais indicado e eficaz, ele não consegue prevenir problemas metabólicos que podem possivelmente se desenvolver em conjunto e impulsionar o câncer, como hiperglicemia e resistência à insulina — é nessa questão que as canetas emagrecedoras poderiam atuar como uma possível terapia.
Combinação entre canetas emagrecedoras e hormônios
Para analisar a relação entre canetas emagrecedoras e hormônios, foi realizado um estudo de coorte retrospectivo, em que os pesquisadores analisaram dados médicos já existentes das participantes, com o objetivo de entender como tratamentos distintos afetaram as pacientes ao longo do tempo. O banco de dados utilizado foi o TriNetX.
A participação no estudo foi restrita a 444.820 mulheres com 18 anos ou mais. Quando lhes foi prescrita a progestina, todas tinham espessamento do revestimento uterino ou outras condições uterinas não cancerosas.
Elas foram divididas em três grupos: as que usavam medicamentos GLP-1 e hormônios sintéticos; as que utilizavam concomitantemente os hormônios com o remédio para diabetes metformina; e as que usavam os três ao mesmo tempo. Um método estatístico ajudou a comparar mulheres com perfis de saúde parecidos.
Segundo os resultados, a combinação entre canetas emagrecedoras e hormônios diminuiu em 66% o risco de desenvolvimento de câncer de endométrio nas pacientes. O uso concomitante dos dois também foi mais eficaz do que a junção dos progestagênios com a metformina.
Já o tratamento com os três reduziu o risco de câncer em 63% em comparação com a terapia dupla com metformina mais progestágenos e 56% quando comparado com o uso somente dos hormônios sintéticos.
A combinação GLP-1RA/progestágenos também diminui o risco de necessidade de histerectomia, procedimento cirúrgico para remoção total ou parcial do útero a fim de evitar cânceres ginecológicos. Ele foi 53% menos após dois anos de tratamento e permaneceu 41% menor com cinco anos, em comparação a mulheres que utilizavam apenas hormônios.
Os autores do estudo acreditam que os achados podem abrir caminho para novas estratégias de tratamento para evitar a incidência de cânceres ginecológicos. Mas eles também destacam que os resultados ainda são preliminares e mais testes devem ser realizados para comprovar a eficácia da estratégia. O uso de canetas emagrecedoras só deve ser feito com indicação médica.
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https://chumbogrossodf.com.br/canetas-emagrecedoras-podem-reduzir-risco-de-cancer-uterino/?fsp_sid=257678




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