
Se você é um usuário ativo da internet, sabe que a expressão “sabor energético” ganhou o posto de um dos primeiros memes de 2026. A expressão criada pelo influenciador Tiago “Toguro” faz referência ao drink alcoólico pronto criado por ele.
Segundo o autor, o grande diferencial da bebida e o que também explica o bordão: ela apenas imita o aroma artificial do energético, não contendo cafeína ou taurina, considerados componentes perigosos ao serem misturados com álcool.
Para se ter uma ideia, segundo a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 719 proposta pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2022, é proibido fabricar bebidas energéticas com teores de álcool acima de 0,5 ml por 100 ml.
Apesar do fundo humorístico, médicos ouvidos pelo Metrópoles apontam que bebidas como o “sabor energético” podem evitar os principais riscos que a mistura entre álcool e energético podem causar ao funcionamento do organismo. No entanto, o consumo também não está isento de riscos.
“Essas bebidas podem agradar ao paladar de quem gosta do sabor do energético e, de fato, não trazem a sobrecarga associada aos estimulantes como a cafeína. No entanto, isso não torna a bebida segura. Todos os efeitos nocivos do álcool continuam presentes, especialmente quando há consumo excessivo”, explica o cardiologista Rodolfo Dourado, coordenador da UTI cardiológica do Hospital da Bahia.
Dourado diz que, em quantidades exageradas, qualquer tipo de bebida alcoólica pode causar prejuízos ao fígado, coração e ao sistema nervoso, além de comprometer a segurança do indivíduo e quem está ao seu redor.
Por outro lado, o sucesso do drink “sabor energético” pode ser um pontapé inicial para as empresas produtoras de bebidas alcoólicas fabricarem produtos menos prejudiciais à saúde dos consumidores.
Riscos de misturar álcool com energético
O grande problema em misturar álcool com energético é a confusão causada dentro do corpo. O primeiro é um depressor natural do sistema nervoso central, tornando os reflexos, a coordenação motora e o nível de consciência prejudicados. Já a segunda tem efeito contrário: estimulantes como cafeína e taurina, comuns nesse tipo de bebida, deixam o indivíduo em alerta.
“Quando ocorre essa mistura, o efeito estimulante do energético acaba mascarando o efeito depressor do álcool. A pessoa não se sente tão embriagada, e sim mais disposta e com energia, o que pode levá-la a beber mais do que deveria. Esse excesso aumenta os riscos, porque tanto o álcool quanto o energético, em altas doses, podem ter efeitos tóxicos sobre o coração”, diz o cardiologista Ricardo Cals, coordenador de cardiologia do Hospital Santa Lúcia Norte, em Brasília.
A soma dos efeitos nocivos de ambas substâncias elevam a frequência cardíaca, a pressão arterial e, para quem tem predisposição, aumenta o risco de arritmias.
Além disso, a nutricionista Katia Araújo ressalta que certos grupos não devem ingerir energético em nenhum tipo de situação. “Jovens, pessoas com problemas cardíacos, ansiedade, hipertensão ou que usam certos medicamentos devem ter atenção redobrada com energéticos, mesmo sem álcool”, diz a especialista do Hospital Santa Paula, em São Paulo.
Mesmo com a chegada do Carnaval, cuidados com o álcool devem permanecer
A abordagem do assunto é essencial, especialmente com a proximidade do Carnaval, um período marcado por muita alegria, mas de muita “bebedeira” para alguns. No entanto, os especialistas afirmam que a folia não deve ser sinônimo de “meter o pé na jaca” no álcool. Entre as principais recomendações para beber com segurança na festa, estão:
- Evitar misturar álcool com energético ou outras substâncias estimulantes;
- Intercalar bebida alcoólica com água;
- Se alimentar bem antes e durante a folia;
- Respeitar os próprios limites e não beber em jejum;
- Usar protetor solar;
- Não dirigir após consumir álcool.
“Informação e moderação são as melhores estratégias para reduzir danos”, conclui Katia.
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https://chumbogrossodf.com.br/entenda-qual-e-a-relacao-entre-o-meme-e-a-saude/?fsp_sid=254902




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