Neuropsicóloga explica o que realmente significa ter altas habilidades





Receber o diagnóstico de altas habilidades nem sempre é simples e costuma trazer uma mudança importante de perspectiva. Não se trata de descobrir que alguém é um “gênio” que sabe tudo, mas de entender que o cérebro funciona de um jeito diferente do que é considerado padrão. 


Em geral, pessoas com altas habilidades são indivíduos que aprendem com rapidez, fazem associações com facilidade e demonstram curiosidade intensa desde cedo. Na prática, isso quer dizer que a forma de pensar é mais acelerada e aprofundada. 



Diferente do que a maioria pensa, o diagnóstico não se resume a um número alto em um teste de QI, mas envolve características cognitivas e também emocionais que influenciam o jeito de estudar, trabalhar, resolver problemas e se relacionar com os outros.




O que é ter altas habilidades?



  • Desempenho acima da média em uma ou mais áreas cognitivas, como raciocínio lógico, linguagem, memória ou criatividade.

  • Rapidez para aprender e fazer conexões, com facilidade para identificar padrões e solucionar problemas complexos.

  • Interesses intensos e aprofundados, com busca constante por informações e desafios intelectuais.

  • Perfil que pode ser global ou específico, ou seja, a pessoa pode se destacar em todas as áreas ou só em algumas.

  • Funcionamento cognitivo diferente do padrão, que influencia a forma de pensar, estudar, trabalhar e se relacionar.




Como o diagnóstico de altas habilidades é definido


O diagnóstico de altas habilidades é feito através de vários testes conduzidos por um profissional da neuropsicologia, com uma avaliação que envolve etapas diferentes e até alguns instrumentos. Entre as principais ferramentas usadas estão:



  • WAIS-IV: aplicado em adultos.

  • WISC-V: voltado para crianças e adolescentes.

  • Raven’s Progressive Matrices: avalia principalmente o raciocínio abstrato não verbal.


Os testes medem habilidades como raciocínio lógico, compreensão verbal, memória e velocidade de processamento. De forma geral, é considerada superdotação quando o QI é igual ou superior a 130, o que indica um desempenho significativamente acima da média.


Mesmo assim, o número isolado não define o diagnóstico. O papel do neuropsicólogo é justamente analisar o perfil completo da pessoa, observando diferenças entre pontos fortes e fracos e levando em conta também aspectos emocionais, escolares e profissionais antes de concluir a avaliação.


“Existe um mito de que pessoas com altas habilidades são todos bons em matemática ou que tiram notas 10 sem esforço. Na verdade, muitos são excelentes em uma área (como artes ou línguas) e podem até ir mal na escola por puro tédio”, explica a neuropsicóloga Alessandra Araújo, da clínica Via Vitae, em Brasília.

Foto mostra modelo de cérebro humano feito com linhas e tecido - Neuropsicóloga explica o que realmente significa ter altas habilidades - Metrópoles
Receber o diagnóstico de altas habilidades pode ajudar a compreender diferenças no modo de pensar, aprender e se relacionar desde a infância

Erro no diagnóstico e dupla excepcionalidade


Algumas características das altas habilidades podem ser confundidas com outros transtornos, como TDAH ou TEA. Uma criança que parece distraída, por exemplo, pode estar entediada com uma atividade que não a desafia tanto — e não necessariamente ter um déficit de atenção.


Da mesma forma, interesses intensos por um tema específico ou um pensamento muito rápido podem levantar suspeitas de diagnósticos errados. Também existem situações em que a pessoa tem, ao mesmo tempo, altas habilidades e algum transtorno do neurodesenvolvimento ou dificuldade de aprendizagem, se encaixando na classificação de dupla excepcionalidade.


É exatamente por isso que o diagnóstico precisa ser muito cuidadoso e amplo, analisando como o cérebro funciona de fato — e não só o comportamento que o paciente apresenta.


“Depois do diagnóstico de altas habilidades, existem algumas intervenções recomendadas ao paciente, como enriquecimento curricular, aceleração quando indicada, treino de funções executivas se houver assimetria, psicoterapia para trabalhar regulação emocional e perfeccionismo, além de orientação à família e à escola”, orienta a neuropsicóloga Leninha Wagner, de Florianópolis.

Existe diferença entre altas habilidades e superdotação?


Na prática clínica e na legislação brasileira, não há diferença entre os dois termos. Altas habilidades e superdotação designam a mesma condição, oficialmente chamada de AH/SD na Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. A distinção entre os nomes é histórica, não diagnóstica.


O termo “superdotação” surgiu ligado à uma visão mais centrada em testes de QI e desempenho intelectual muito acima da média. Já “altas habilidades” ampliou esse entendimento ao incluir criatividade, envolvimento intenso com áreas de interesse e talentos específicos.


Nesse contexto, em resumo, a diferença entre os termos é semântica. O que realmente orienta o diagnóstico e a intervenção é entender como aquele cérebro organiza informações, lida com emoções e responde ao ambiente.






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