Saiba até que ponto o cérebro pode se recuperar de acidentes





Imagine que seu corpo é uma grande empresa e cada órgão tem uma ocupação determinada para que tudo funcione. Nesse exemplo, é consenso que o cérebro teria uma posição de liderança. Responsável por ser o nosso centro de comando, ele processa informações sensoriais, controla as ações voluntárias e involuntárias e ainda cuida da inteligência, emoção e memória dos seres humanos. 


Em outras palavras, o cérebro é o chefe da empresa “chamada” corpo. Por isso, qualquer intercorrência nele costuma provocar consequências. Os acidentes cerebrais podem ser classificados em:



  • Vasculares, como acidentes vasculares cerebrais isquêmicos ou hemorrágicos, quando o fluxo de sangue cerebral é interrompido ou rompido;

  • Traumáticos, quando impactos causam danos ao cérebro;

  • Lesões por falta de oxigênio, quando o cérebro não recebe oxigênio suficiente para funcionar adequadamente;

  • Impactos esportivos repetitivos na cabeça, especialmente no boxe e futebol americano.


Seja qual for o caso, o cérebro não funciona como o fígado, por exemplo, que tem capacidade de se regenerar, mesmo após perdas significativas. Para a recuperação cerebral, o sistema nervoso reorganiza sua estrutura para cumprir a função da região afetada. O processo é chamado de neuroplasticidade. 


“O cérebro tem uma capacidade limitada de regeneração, mas uma grande capacidade de adaptação. Muitas vezes, ele não ‘reconstitui’ totalmente a área lesada, mas consegue reorganizar circuitos e recuperar funções de forma parcial ou até bastante significativa”, explica o neurologista Mario Peres, do Einstein Hospital Israelita, em São Paulo.


Mas até que ponto o cérebro pode se recuperar?


De acordo com a neurologista Natalia Nasser Ximenes, a recuperação dependerá da extensão, localização e a gravidade da lesão, além do tempo até o atendimento médico após a lesão. Outros fatores também influenciam a neuroplasticidade, como o estilo de vida e a idade – jovens costumam se recuperar melhor.


“O cérebro tem uma capacidade limitada de regeneração estrutural — ou seja, neurônios mortos geralmente não são substituídos de forma significativa. No entanto, ele possui uma impressionante capacidade de reorganização funcional. Isso significa que outras áreas podem assumir funções das regiões lesionadas, parcial ou até amplamente, dependendo do caso”, conta a especialista do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, e membro da Academia Americana de Neurologia.

Por outro lado, é importante ressaltar que nem toda lesão é reversível. Em alguns casos, a recuperação pode levar anos para ocorrer, além de ter risco de deixar sequelas permanentes. Se muito grave, o acidente cerebral também pode levar à morte.


Como a reabilitação é importante na recuperação


Realizar terapias de reabilitação é essencial para a recuperação cerebral. O tratamento é feito através de uma abordagem multidisciplinar, que envolve fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, reabilitação cognitiva e acompanhamento neuropsicológico.


Ilustração colorida feita com IA de neurônios cerebrais - Cientistas identificam nova célula guardiã capaz de proteger o cérebro - Metrópoles
Especialistas explicam que o cérebro não se regenera após acidentes, mas sim se reorganiza

Quanto mais rápido for iniciado, mais chances de melhora existem. Isso porque as primeiras semanas são a fase de maior ganho funcional do cérebro. “Até seis meses a recuperação significativa ainda é comum. Após um ano, o progresso continua, mas tende a ser mais lento”, afirma Natalia.


Para Mario, o importante é não tratar a reabilitação como um processo de “tudo ou nada”. “Mesmo quando não há retorno completo ao estado anterior, muitas pessoas conseguem recuperar autonomia e qualidade de vida com tratamento adequado”, completa o especialista.





Source link

https://chumbogrossodf.com.br/saiba-ate-que-ponto-o-cerebro-pode-se-recuperar-de-acidentes/?fsp_sid=280967

Postar um comentário

0 Comentários