
O Ministério da Saúde confirmou, nessa terça-feira (10/3), o primeiro caso de sarampo no município de São Paulo. A paciente é uma bebê de seis meses, residente na capital paulista e sem histórico de vacinação contra a doença.
Segundo a pasta, a criança apresentou início de febre e manchas na pele no dia 8 de fevereiro. A investigação epidemiológica identificou que ela esteve na Bolívia entre 25 de dezembro de 2025 e 25 de janeiro de 2026, o que levou as autoridades de saúde a classificarem o episódio como caso importado.
A confirmação veio em 4 de março, após exames laboratoriais e sequenciamento genômico do vírus. Desde então, equipes de vigilância epidemiológica do município, do estado e do Ministério da Saúde acompanham a situação.
De acordo com a prefeitura de São Paulo, foram adotadas medidas previstas para esse tipo de ocorrência, como investigação epidemiológica, bloqueio vacinal, intensificação da vacinação e monitoramento de pessoas que tiveram contato com a paciente. O acompanhamento deve durar cerca de 30 dias.
O que é o sarampo?
- O sarampo voltou a circular no Brasil após ter sido eliminado em 2016, principalmente por causa da queda na cobertura vacinal. No início de 2025, o país voltou a ser considerado livre da doença.
- Além de ser altamente contagiosa, o vírus pode sobreviver no ar por até 24 horas, sendo muito mais transmissível que outros vírus como o da gripe e o da Covid-19.
- O sarampo pode causar complicações graves como pneumonia e encefalite – a inflamação do cérebro – especialmente em crianças menores de 5 anos, sendo potencialmente fatal.
- A vacina tríplice viral é a principal forma de prevenção. Deve ser aplicada nos bebês em duas doses, aos 12 e 15 meses de idade.
- Em casos de surtos, o Ministério da Saúde recomenda uma dose da vacina para crianças a partir dos 6 meses de idade e também a revacinação de adultos.
Vigilância é fundamental
Segundo o pediatra e infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a confirmação de um caso isolado não significa necessariamente retorno da circulação da doença no país, mas exige atenção.
“Um caso de sarampo sempre traz preocupação. No ano passado tivemos cerca de 30 a 40 casos no Brasil, mas foram casos secundários de infecções importadas que acabaram contidos”, afirma.
O especialista lembra que o Brasil recebeu em novembro de 2024 a recertificação de país livre da circulação endêmica do sarampo, o que significa que não há transmissão sustentada da doença no território nacional.
Mesmo assim, ele alerta que manter essa condição exige vigilância constante. “É tão difícil manter um país livre do sarampo quanto eliminá-lo. Temos países vizinhos registrando casos e existe grande circulação de pessoas entre essas regiões”, explica.
Por causa da facilidade de transmissão do vírus, o sarampo costuma ser uma das primeiras doenças a reaparecer em locais onde a cobertura vacinal cai.
Vacinação é a principal proteção
A principal forma de evitar surtos continua sendo a vacinação. A imunização contra o sarampo faz parte da tríplice viral e da quadrúplice viral aplicadas na infância.
Segundo o imunologista Luiz Vicente Rizzo, diretor de pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein, a vacina é considerada uma das mais eficazes já desenvolvidas.
“A vacina contra o sarampo é uma das mais eficientes que conhecemos. Ela oferece algo entre 97% e 99% de proteção. Se entre 92% e 95% das pessoas estiverem vacinadas, o vírus praticamente deixa de circular. Isso protege inclusive quem ainda não pode se vacinar”, afirma.
No caso do sarampo, essa proteção é especialmente importante para bebês muito pequenos, que ainda não atingiram a idade recomendada para receber a vacina.
Segundo Kfouri, crianças nessa faixa etária acabam sendo mais vulneráveis à doença justamente por ainda não estarem totalmente protegidas pela imunização.
Ele lembra também que não existe tratamento específico para o sarampo. “Não há um antiviral para a doença. O tratamento é basicamente de suporte, para controlar os sintomas e evitar complicações”, ressalta.
Por isso, os especialistas reforçam que manter a vacinação em dia continua sendo a estratégia mais importante para impedir que a doença volte a circular no país.
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https://chumbogrossodf.com.br/sao-paulo-registra-primeiro-caso-de-sarampo-de-2026-em-bebe-de-6-meses/?fsp_sid=271119




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