Pessoas muito musculosas são sempre mais fortes? Personais explicam





Imagine: você está saindo do mercado cheio de compras e precisa de ajuda para levá-las. Ao olhar para a frente, se depara com duas pessoas: uma muito musculosa e outra com massa muscular não muito aparente. A quem você pediria uma “mãozinha”?



É muito comum relacionar indivíduos com músculos exuberantes a seres muito fortes, mas, segundo especialistas entrevistados pelo Metrópoles, um corpo cheio de massa muscular não é sinônimo de vigor físico.


“A quantidade de massa muscular (hipertrofia) não é um indicativo direto da força máxima que um indivíduo consegue gerar. A força muscular é multifatorial e depende também de aspectos como a eficiência do recrutamento de unidades motoras, a frequência de disparo neural e a coordenação intermuscular”, avalia o personal trainer Junior Jocas, membro do Conselho Federal de Educação Física (Confef).

Para Jocas, é importante entender a diferença entre a hipertrofia muscular e a força muscular. A primeira se refere ao aumento do volume das fibras musculares como resultado de estímulos tensionais e metabólicos acumulados no treinamento resistido. Já a segunda está relacionada à capacidade do sistema neuromuscular de gerar tensão contra uma resistência, envolvendo aspectos estruturais e neurais.


Apesar de distintos, ambos termos são complementares. “É possível aumentar a força com pouca hipertrofia, dependendo da periodização e dos métodos de treino aplicados”, aponta o especialista.


É possível ser forte mesmo sem ter músculos muito volumosos?


É totalmente possível. Não é incomum encontrar vídeos pela internet de pessoas com menos massa muscular conseguindo levantar materiais de carga elevada ou atletas de levantamento de peso de corpo não tão tonificado. A personal trainer Thamiris Meurer afirma que o segredo está no controle, coordenação e estratégia muscular.


“Atletas como levantadores de peso olímpico ou powerlifters, especialmente em categorias mais leves, costumam ser extremamente fortes sem apresentar grande volume muscular. Isso acontece porque eles treinam o corpo para ser eficiente, melhorando a ativação neuromuscular, a técnica e o aproveitamento das alavancas corporais”, explica a especialista que atua em Santa Catarina.

Essa é a prova que pegar mais ou menos peso na academia vai muito além do tamanho dos músculos. Embora seja um dos fatores influentes, a resistência cardiovascular, flexibilidade e mobilidade, além da eficiência neuromuscular também são essenciais.


Foto colorida homem negro mostrando braços definidos com músculos - Metrópoles
Professores explicam que nem sempre a hipertrofia vem acompanhada de força física

Se o objetivo principal é a estética, simetria e definição muscular, como no caso de fisiculturistas, o treino priorizará a hipertrofia, com volume moderado a alto de carga, mais repetições e curtos intervalos entre as séries.


Já para quem busca força, a disposição de exercícios é totalmente diferente: as cargas são prioritariamente altas, com menos repetições e mais intervalo entre as séries. “Ambos são eficazes, mas com objetivos distintos e podem, inclusive, ser combinados dependendo da periodização e do objetivo do aluno”, destaca Thamiris.


O culto ao corpo musculoso


A distorção e a percepção real de força está muito relacionada à cultura do “corpo ideal”, um conceito bastante difundido pelas mídias sociais e que valoriza somente o volume muscular.


“Não considerar também a funcionalidade ou a performance pode levar à falsa ideia de que mais músculos significam automaticamente mais força, o que é um equívoco fisiológico e técnico. A educação física deve promover a compreensão da funcionalidade do corpo, da saúde e da performance, acima da estética isolada”, alerta Jocas.


De acordo com os especialistas, a regra é clara: um bom treinamento é aquele que não foca apenas na estética, mas sim na saúde como um todo.






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