Oncologistas explicam se mau cheiro nas genitais pode indicar câncer





Cada pessoa possui um odor corporal próprio, inclusive na região íntima. No entanto, quando o cheiro se torna forte, persistente ou diferente do habitual, muitas pessoas passam a se perguntar se isso pode indicar algum problema de saúde mais sério. Entre as dúvidas mais comuns está a possibilidade de o mau cheiro estar relacionado ao câncer.


Especialistas ouvidos pelo Metrópoles explicam que, na maioria das vezes, alterações no odor genital estão associadas a infecções comuns ou a outras causas benignas, e raramente indicam doenças graves.


Segundo o oncologista Luiz Reis, do Hospital Águas Claras, as infecções ginecológicas estão entre os motivos mais frequentes para o aparecimento de cheiro desagradável.


“Na maioria das vezes, o mau cheiro na região genital é causado por infecções comuns e tratáveis. As causas mais frequentes são a vaginose bacteriana, a candidíase e a tricomoníase”, explica.

De acordo com o médico, a vaginose bacteriana é responsável por cerca de metade dos casos e costuma provocar um odor semelhante a peixe, que pode se intensificar após relações sexuais ou durante a menstruação. Já a tricomoníase pode causar cheiro forte acompanhado de corrimento amarelado ou esverdeado e sinais de inflamação.


A candidíase, por outro lado, geralmente provoca coceira e corrimento branco espesso, mas raramente está associada a mau cheiro.


Além das infecções, outros fatores também podem alterar o odor da região íntima. Entre eles estão higiene inadequada, suor excessivo, presença de corpo estranho, como tampões esquecidos, e alterações hormonais, especialmente após a menopausa.


Quando o odor pode indicar algo mais sério?


Embora seja incomum, em alguns casos o mau cheiro genital pode estar associado a doenças mais graves, incluindo certos tipos de câncer ginecológico ou urológico.


Luiz Reis explica que, quando existe relação com câncer, o odor costuma aparecer acompanhado de outros sintomas.


“Alterações no odor podem ocorrer em alguns casos de câncer ginecológico, mas isso é raro e geralmente não acontece de forma isolada. Quando relacionado à doença, costuma vir acompanhado de sangramento fora do padrão, dor pélvica ou outros sinais”, afirma.

No câncer do colo do útero, por exemplo, pode ocorrer corrimento com cheiro forte, especialmente em fases mais avançadas da doença. Ainda assim, o médico destaca que esse não costuma ser o primeiro sintoma.


“Nos estágios iniciais, a doença muitas vezes não causa sintomas e é identificada em exames de rotina. Quando surgem sinais, o mais comum é o sangramento após relação sexual ou fora do período menstrual”, diz.


O oncologista Márcio Almeida, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), também ressalta que alguns tumores podem provocar secreções com odor desagradável.


“Alguns cânceres ginecológicos, como os de colo do útero, vagina ou vulva, podem cursar com secreção de odor fétido, principalmente em fases mais avançadas. Nos homens, tumores de pênis também podem causar odor desagradável”, afirma.

Mesmo nesses casos, o especialista reforça que o mau cheiro isolado dificilmente é o primeiro sinal da doença.


Outros sinais de alerta e quando procurar um médico


Quando existe um problema mais sério, o odor geralmente aparece junto com outros sintomas que merecem investigação médica.


Entre os sinais que podem indicar a necessidade de avaliação estão sangramento fora do período menstrual ou após relações sexuais, dor pélvica persistente, feridas ou lesões na região genital, corrimento escuro ou purulento, perda de peso sem causa aparente e aumento do volume abdominal.


Especialistas recomendam que qualquer alteração persistente no odor genital seja avaliada por um profissional de saúde.


“A orientação é procurar avaliação médica quando o mau cheiro persistir por mais de alguns dias, não melhorar com medidas simples de higiene ou vier acompanhado de dor, sangramento ou corrimento incomum”, explica Márcio.

A oncologista clínica Alessandra Leite, coordenadora de oncologia do Hospital Santa Lúcia Gama, reforça que a maioria dos casos tem causas simples e tratáveis, mas ainda assim deve ser investigada.


“As causas mais comuns são infecções bacterianas, alterações hormonais ou hábitos de higiene inadequados. Ao perceber um odor mais forte e persistente na região íntima, é fundamental procurar um médico para avaliação”, afirma.

Segundo os médicos, consultas regulares com ginecologista ou urologista são essenciais não apenas para tratar sintomas, mas também para prevenir doenças e garantir diagnóstico precoce quando necessário.





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